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X-Men – Garotas em Fuga

Marcos X-Salada 23 de janeiro de 2012 NSFW, Resenha 1 Comentário
X-Men – Garotas em Fuga

Quando descobri que Milo Manara ia desenhar X-Men fiquei animadíssimo! “Wow! X-Men pelo Milo Manara!!! Isso vai ser quente!!!”

Obviamente esse era meu pré-adolescente interior berrando de excitação.

A apresentação é quase desnecessária para fãs de quadrinhos:  Milo Manara é uma autoridade das HQs européias (ou BDs, como são chamadas lá). Mais específicamente, ele é um quadrinista italiano reconhecido por seus trabalhos eróticos. O autor teve, inclusive, uma de suas obras autorais mais famosas convertida em cine-série erótica.

Tenho uma teoria de que o primeiro contato que qualquer brasileiro tenha tido com o trabalho de Manara tenha sido através de um álbum que não pertencia ao leitor. É o tipo de obra que, se visto na livraria ou na casa de um amigo causa algum constrangimento em poucas páginas (taí nosso amigo Affonso Solano que não me deixa mentir).

O trabalho dele é bonito. Ele desenha belas mulheres (mesmo quando vestidas), belos cenários, personagens masculinos bem diversos… A união desse artista lendário com meus heróis favoritos – os X-Men – portanto, era algo a se comemorar. Sendo Chris Claremont o roteirista deixava toda a notícia ainda mais interessante.

Pode ser que tenha sido a alta expectativa ou simplesmente o fato de eu não ser mais aquele adolescente de outrora, mas achei X-Men – Garotas em Fuga decepcionante.

As primeiras páginas da história geram alguma empolgação: alguns X-Men estão em Madripoor numa missão de resgate. Logo percebe-se que são na verdade X-Women, pois só há garotas no grupo. E logo que elas liquidam todos os vilões não existem mais homens na história. “Tudo bem”, penso eu, “Manara será realmente mais bem-aproveitado desenhando mulheres”.

O que vem a seguir é uma sequência de cenas eróticas com pessoas vestidas. O relacionamento das X-Women é sensual para dizer o mínimo, começando levemente nas primeiras páginas - como Lince-Negra e Garota Marvel se abraçando, menos em tom de reencontro, mais em tom “pós-coito” - e evoluindo ao longo da trama – a conversa delas semi-nuas no barco é, no mínimo, inusitada com um capitão atípicamente focado na condução do veículo.

As X-Women põe roupa, tiram roupa, trocam de roupa, perdem as roupas, usam roupas semi-transparentes, rasgam as roupas… tudo com base no roteiro que, é claro, demanda todas essas trocas e posições sensuais e cenas de decote. Sente-se que toda a HQ foi encomendada como um grande fan-service de 68 páginas; mais um caso em que o roteiro atende aos desenhos e não o contrário.

Ainda assim, não se deixem enganar pelas imagens de Internet: não há nudez na HQ.

De uma forma geral eu não recomendo a HQ. Existem muitas boas histórias dos X-Men (com ou sem Chris Claremont) e o Manara é um mestre, mas aqui está extremamente deslocado – ele até admite não ter conhecimento prévio dos X-Men em entrevista. A HQ acaba passando aquele sentimento adolescente de “se não posso levar a Playboy, posso pegar aquela revista ali, com a moça de biquini?”

A edição nacional é bonita. O formato não é o padrão europeu, mas é maior que o formato americano, a capa é cartonada e há extras para todo bom fã – como entrevistas, rascunhos, comentários de editores e do Manara etc. A HQ foi publicada em P&B na Itália, mas chegou ao Brasil com as cores de Dave Stewart, o colorista sensação do momento.

Apesar disso tudo, recomendo outras obras do mestre Manara, como a série Borgia, que é uma ficção histórica de primeira. Só compre essa edição de X-Men se for colecionador.

X-Men: Garotas em Fuga
Roteiros: Chris Claremont
Desenho: Milo Manara
Cores: Dave Stewart
68 páginas
Panini

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