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Superman: Red Son

Marcos X-Salada 14 de fevereiro de 2012 Resenha 1 Comentário
Superman: Red Son

Num mundo “perfeito”, o Superman aterrisou sua nave nos Estados Unidos, cresceu numa fazenda e se tornou o ícone da América. Mas e se a nave de Kal El caísse na Ucrânia soviética e ele lutasse pelos valores comunistas contra o capitalismo? Bem, essa é a premissa de Superman: Red Son (ou, no Brasil, Super-Homem: Entre a foice e o martelo).

Devo dizer que a princípio quando o Barba Magnética disse que traria a revista para mim, cheguei a comentar algo sobre o Superman ser “qualquer coisa”, ledo engano. Quando ele me disse do que tratava-se a história fiquei animado em devorar aquela subversão  histórica dos quadrinhos.

Aliás, provavelmente a “pomposa” DC não deixaria qualquer um mexer desse jeito com o Homem de Aço, mas com o roteiro sensacional de Mark Millar, investiram na idéia. E mesmo assim, diz a lenda, que esse quadrinho ficou por alguns anos na geladeira esperando a poeira pós-guerra fria baixar. Afinal de contas, naquela época tudo era um pouco delicado.

A história começa nos anos 50, quando o Superman já é adulto e começa a lutar pela verdade, justiça e comunismo ao lado de Stalin, seu tutor. Ajuda o exército vermelho a se livrar da ameaça nuclear dos E.U.A. e se torna um aclamado ícone na União Soviética. Em uma festa do partido onde estava sendo homenageado conhece a Mulher Maravilha, com quem logo se identifica, tornam-se amigos e, após a morte de Stalin, Diana é quem mais o apóia para que se torne presidente da U.R.S.S.

Do outro lado do mundo, o governo norte americano se alia ao genial cientista Lex Luthor, a fim de conseguir fazer com que o “Homem Invencível” se curve. Lois Lane, jornalista do Planeta Diário e mulher de Lex, sofre por se sentir dividida entre o que acha correto, seu marido e a paixão que surgiu a partir de um encontro com o Superman.

Juntando isso com a corrida espacial e armamentista, neve, conceitos políticos, Lanterna Verde e um Batman irado, com menos recursos, mas ainda assim lutando pelos direitos do povo, e temos uma bela revista. Sem falar que o final é de fazer tudo o que você já leu, sabe, ou que até possa ter visto naquele seriado meia-bomba do Homem de Aço virar pó, é de explodir a cabeça.

Vale falar que as artes de Dave Johnson e Kilian Plunkett, consistentes, bonitas e que demonstram cuidado com as diferenças de costumes e vestuário quando desenham o núcleo americano e o soviético. Também pelas paletas de cores de Andrew Robinson e Walden Wong, que mudam de acordo com a época e local onde a história está. Sem falar que a soma disso torna o trabalho como um todo muito bonito e cheio de referências construtivistas.

Minha dica é que se desapeguem da visão clássica dos heróis DC e procurem essa revista que é muito boa (se possível em inglês pois, além do próprio nome, alguns trechos da tradução em português perdem sentido). Isso sem falar que, se você gosta de action figures, COMPRE TODOS!

Superman: Red Son
Roteiro: Mark Millar
Arte: Dave Johnson e Kilian Plunkett
Cor: Andrew Robinson e Walden Wong
Editora: DC
Páginas: 160
2004

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1 Comment

  1. 5horas 14 de fevereiro de 2012 at 21:07

    E esses bonequinhos são seus, Marcos Paulo?

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