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O herói sai do armário

Marcos X-Salada 5 de junho de 2012 Opinião Nenhum Comentário
O herói sai do armário

No último domingo foi ao ar no Fantástico, uma matéria falando sobre um tema que já comentei por aqui semanas atrás e que ainda está sendo explorado ao máximo pela mídia: gays nos quadrinhos.

Nessa matéria eles falam sobre o fato do Lanterna Verde Alan Scott ser gay – apesar de na matéria só mostrarem o Hal Jordan, que é outro Lanterna Verde – e também, sobre o casamento de Estrela Polar que acontecerá em poucas semanas.

Na mesma matéria,  Rafael Grampá (conceituado artista brasileiro, ganhador do Eisner e criador de Mesmo Delivery) fez um comentário meio sem nexo, para mim, com relação ao Batman. Ele disse: “ele é um milionário que prefere sair pulando em cima de prédio, vestido de preto com um molequinho de tanga. É meio estranho…”.

Não sei se sair pulando em cima de prédios vestido de preto é um comportamento gay usual, mas ok. Eu nunca vi nenhum fazendo isso.

Somado ao comentário, foi pedido a ele que desenhasse um super-herói gay. E assim nasceu o Gay Laxyus, que estereotipa gays como espalhafatosos e coloridos.

Sem querer me alongar muito no histórico do que vem acontecendo relacionado a isso, até mesmo por já ter escrito sobre o tema antes (clique aqui para ler); acredito que as pessoas não tem muito o que falar sobre a estratégia de marketing utilizada pelas editoras, mas ainda assim, elas querem falar algo apenas por falar.

Não sei se isso ajuda de certa forma a luta LGBT. Mas, como disse o editor da Marvel, Rick Lowe, na própria matéria, ele quer mais é que a revista faça sucesso e venda muito.

Em contrapartida disso, dias atrás Dale Lazarov disponibilizou a apresentação que fez na Toronto Comics Art Festival desse ano. Com o sarcático título: “Quadrinhos me tornaram gay – na verdade, não, eles só confirmaram isso”, mostrando como a tentativa de ser o macho alfa, musculoso e salvador da pátria o fez pensar em sexualidade e viu ali a oportunidade de fazer quadrinhos voltados para o público gay.

(Clique na imagem para ver a apresentação)

E esse comportamento só reafirma que, sendo ou não gays, todos são pessoas que levam suas vidas da mesma maneira: trabalham, vão às compras, ficam em seus computadores, tem romances, se alimentam e, porque não, leem quadrinhos. Exagerar e colorir tudo fazendo com que todos achem que ser gay é só festa e felicidade tira o tom realista das coisas, mascara o preconceito e deixa igualmente marginalizada a marcha de milhões de pessoas por igualdade.

Então, ao menos para mim, não ficou clara toda essa movimentação que a Marvel/DC e as mídias estão levantando em torno disso. Compreendo que a pouco os Estados Unidos passaram por uma votação a fim de legalizar o casamento gay e também houve o discurso do Obama se dizendo favorável a que isso aconteça.

Mas acredito que seria mais válido se isso viesse junto com algo que realmente explicasse porque a homofobia é ignorância, e que respeito é o que essas pessoas marginalizadas esperam encontrar.

Contudo essa pode ser uma fase de transição, como quando mulheres e negros ingressaram de forma mais contundente nos quadrinhos e acabaram com tabus e preconceitos. E só o que posso fazer é torcer para que um dia o lucro que essas editoras desejam alcançar seja social e não apenas monetário.

Caso não tenha visto a matéria do Fantástico, clique aqui.

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