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Noturno

Marcos X-Salada 24 de janeiro de 2012 Resenha Nenhum Comentário
Noturno

Vou ser sincero: não conheço nada ou quase nada dos quadrinhos argentinos. O preconceito bobo e a falta de oportunidades sempre me afastaram dos trabalhos de nossos vizinhos. Da falta de oportunidades não posso mais reclamar pois está havendo uma sadia invasão de excelentes autores argentinos nas nossas livrarias. Mas ainda assim me mantive turrão e receoso aos trabalhos dos hermanos. No fundo eu sabia que era apenas uma questão de tempo até eu encontrar o autor certo para me derrubar do meu pedestal nacionalista e arrogante. Ironia do destino: o salvador se chama… Salvador… Sanz.

Legión – ainda inédito no Brasil – foi o primeiro trabalho de Sanz com o qual tive contato. À grosso modo, trata-se de uma invasão de demônios às ruas de Buenos Aires. Arte estupenda e roteiro perturbador, bastou uma história para que eu me tornasse fã incondicional do artista. E qual foi minha alegria e surpresa quando descobri que Noturno, sua obra pós-Legión seria publicada aqui pela Editora Zarabatana.

Novamente o palco do artista é sua própria casa, onde pelos céus de Buenos Aires são avistadas aterrorizantes criaturas aladas. E onde um casal de desconhecidos é sugado por uma conspiração extra-dimensional, magia negra e – por que não – o exército americano.

Tive o prazer de conhecer o autor em 2011 durante a Gibicon de Curitiba, e qual foi o meu espanto ao constatar que tínhamos quase a mesma idade. É assustador saber que existem artistas tão completos por aí. Seu domínio de luz e sombra, perspectiva e narrativa são excelentes, sem falar no roteiro surreal, significativamente à frente de qualquer coisa que eu tenha lido dos meus compatriotas. Infelizmente (ou não) o Brasil perde mais uma supremacia: já não bastava o nosso futebol, mas agora até nas HQs temos que abaixar as cabeças e assistir os mestres argentinos nos mostrarem como devem ser feitas boas histórias.

Noturno
146 páginas
2011

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