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Entrevista Kokocast: Matt Fraction

Marcos X-Salada 18 de novembro de 2011 Entrevista 1 Comentário
Entrevista Kokocast: Matt Fraction

Holy Moley, Batman! It´s Mr. Matt Fraction!!!

O autor de, entre outros,  Casanova, Homem de Ferro, Punho de Ferro e da mega-saga da Marvel “Fear Itself” esteve no #FIQ2011 e foi super-simpático nos concedendo essa entrevista.

Kokocast: Agradecemos por estar aqui, conosco, no FIQ. Até agora, o que tem a dizer? Está gostando? Se divertindo?

Matt Fraction: É fantástico! E é um evento público: eu adoro isso! Tem um monte de alunos de escola aqui. Muita gente de todas as idades.

Kokocast: Como você soube do evento? Você falou com seus amigos, gente com quem trabalhou…

Fraction: Sim, eu tenho alguns amigos que já estiveram no FIQ, e o Gabriel e o Fábio – eles realmente conseguiram que eu fosse convidado. Foi através deles. E estou muito feliz que eles o fizeram. Estou amando isso.

Kokocast: O primeiro material seu que conheci foi Casanova, com Gabriel Bá. Como se conheceram? Como foi essa experiência? No começo vocês, inclusive, trabalharam juntos no roteiro, certo? Digo, não foi uma via de mão única.

Fraction: Não! Nunca é uma decisão minha sozinho! É uma colaboração. Os artistas com quem trabalho não são funcionários. Somos parceiros. Colaboradores. Eles fazem com que eu pareça melhor do que sou. É sempre uma colaboração. Eu fico com o crédito por isso, mas são eles quem me fazem parecer melhor.

Kokocast: E como você conheceu Gabriel Bá?

Fraction: Eu vi “Meu Coração, Não Sei Por Que“, e vi algumas páginas que Fábio estava desenhando. Fomos apresentados e eu, originalmente, pedi que Fábio desenhasse, mas eles decidiram que Gabriel era melhor para o trabalho. Foi a decisão deles: O Gabriel vai fazer!

Kokocast: Eles só te comunicaram?

Fraction: Eles só me comunicaram! Aí eu falei “ótimo”, e continuamos.

Kokocast: E como foi trabalhar com eles?

Fraction: Ótimo! Fantástico! Telepático! Mágico! Inexplicável!

Kokocast: E o que você pensa sobre trabalhar com alguém tão longe de onde você trabalha?

Fraction: Sabe, estava na Marvel por mais ou menos dois anos antes, isso com artistas americanos. Eu meio que já estava acostumado com isso. É tudo digital hoje em dia. Internet, email… não importa se vem do Brasil ou do seu vizinho, sabe?

Kokocast: E quando vocês finalmente se conheceram? Digo, pessoalmente.

Fraction: Em San Diego logo que Casanova começou a sair. Acho que em Julho de 2007, sei lá.

Kokocast: E qual era a principal ideia por trás de Casanova?

Fraction: Eu estava quase convencido de que ninguém ia me deixar escrever quadrinhos, nunca mais! Eu queria escrever algo que não existia. Algo que eu quisesse ler. E acabou sendo Casanova.

Kokocast: E agora você está trabalhando com um grande evento da Marvel, o Fear Itself, com o artista que é, na minha opinião, o maior da atualidade. Como é trabalhar com Stuart Immonen?

Fraction: Ele é fantástico. Ótimo mesmo. Eu não posso elogiá-lo o bastante. Além de ser um quadrinista incrivelmente talentoso e um ilustrador nato, ele deixa tudo micro e macroscopicamente melhor. Ele é incrível. Incrível mesmo. Uma das pessoas mais talentosas na área hoje em dia. Eu estava honrado por estar em sua presença pelo tempo que estive.

Kokocast: Enquanto desenhava aquela mini-série do Superman, ele usava um estilo especial, bem realista. Trabalhando com Warren Ellis em Nextwave ele usou um outro estilo e para Fear Itself ele decidiu usar um estilo diferente novamente.

Fraction: Foi ele. Ideia dele. Eu sabia, pelo fato de ser um fã, que ele criaria algo novo. Que ele iria decidir ir em uma direção. E… eu só… fiquei esperando pra ver no que ia dar. É parte do processo dele, sempre se reinventando no caminho e eu… bom, eu já conhecia e amava o trabalho dele faz muito tempo, então… eu sabia que estaria tudo bem, tipo, a arte seria a última coisa com o que se preocupar. E ele é um profissional. Eu sabia que ele não se atrasaria. Fomos o primeiro dos “grandes eventos Marvel” que não se atrasou em MUITO tempo. Eu sabia que com ele as edições chegariam nas bancas a tempo. Foram 9 edições em 7 meses. Nada mal, hã?

Kokocast: E como é o processo? Em Casanova, tanto com o Gabriel quanto com o Fábio, como funcionava? Você via a edição pronta antes ou depois do editor? Muito diferente do que é agora com Fear Itself?

Fraction: Não havia um editor em Casanova. Na verdade, é bem parecido com o que acontece agora com o Stuart: eu escrevia o roteiro, mandava… a gente discutia… e as páginas chegavam!

Kokocast: E como é agora, trabalhando no Fear Itself com Immonen?

Fraction: É o mesmo processo! Na verdade, ele mandava as páginas para mim, pro editor e pro arte-finalista de uma só vez. Estamos sempre trocando emails, todos nós. Então todos veem tudo ao mesmo tempo.

Kokocast: Atualmente você escreve só para a Marvel, certo?

Fraction: Sim. Digo, em termos de mainstream – ou seja, com super-heróis -, sim, só para a Marvel.

Kokocast: Mas e como fica seu trabalho independente? Eles deixam você publicar tranquilamente?

Fraction: Ah, sim, pelo menos até agora. A Marvel tem sido bacana nesse sentido. Eu tenho uma história de cinco páginas que vai sair na próxima GQ Magazine, no próximo mês–

Kokocast: GQ Magazine? A revista masculina?

Fraction: É. Isso…

Kokocast: Isso é demais!

Fraction: É incrível! Nem me fale! É a primeira HQ com mais de uma página que a GQ já publicou. Vai ser parte da edição “Homem do Ano”. Fui eu e o Nathan Fox… é uma história sobre a morte de Osama Bin Laden… E Casanova sai pela Icon, então eu diria que, sim, eles são bem flexíveis…

Kokocast: Vai ter um monte de gente estilosa? Caras se vestindo com ternos bacanas e tal, seguindo o estilo da revista?

Fraction: Não, não. Na verdade é bem naquele estilo de “reportagem direta”, sem fírulas… É a coisa mais relacionada a jornalismo que já fiz, desde o colegial. Tudo foi meticulosamente pesquisado e… bom, têm bem poucas liberdades artísticas. É bem específico e direto ao ponto, narrando o que deve ter ocorrido naquela noite. Então foi bem parecido com fazer jornalismo, em quadrinhos.

Kokocast: Isso é impressionante. Digo, como um leitor da revista.

Fraction: Tinha que ver como eu fiquei. Estava nas nuvens…

Kokocast: E, falando de jornalismo, o que foi que você aprendeu de mais valioso estudando jornalismo?

Fraction: Bom, acho que aprendi a ser … direto ao ponto. A não ser prolixo… Na verdade, se você perguntar ao Bá e ao Moon sobre isso eles vão dar risada, sabe? É que eu fico falando, e falando… A primeira frase de cada descrição em Casanova é pra eles. Todo o restante, eu faço pra mim mesmo. Aquela primeira frase sou eu sendo direto. Todo o restante sou eu tentando descrever o mundo em minha própria cabeça, falando da textura, cor etc.

Kokocast: Bom, agora Casanova está saindo com o Fábio Moon e em cores, com Cris Peter. Como está sendo essa experiência? Tendo Casanova em preto e branco, praticamente, e agora colorido?

Fraction: Não era algo que queríamos no começo, mas tivemos que ceder devido ao mercado. Quando pensamos “como seria Casanova em cores?” nós sabíamos, automaticamente, como seria em nossas cabeças. A Cris, desde que entrou, tem contribuído com o projeto. Não é como se ela estivesse “traduzindo para cores”. Ela se tornou parte da família essencialmente. Parte do time. E as letras estão sendo feitas à mão agora. Dustin Harbin está fazendo as letras. Ele é um cartunista conhecido na internet. Nós somos amigos há bastante tempo, chegamos a trabalhar juntos numa loja de quadrinhos quando éramos crianças… Acho que desde 1993… Ou seja, agora a família cresceu! Todos tem ajudado muito nesse processo.

É aquela história que falei no começo da entrevista: eu queria fazer o gibi que eu gostaria de ler. Agora nós todos o fazemos. Eu não queria fazer o milésimo-sétimo spin-off do Batman, sabe? E parte disso teria de ter as letras feitas à mão. Nós pensamos “quando pudermos fazer tudo direitinho, nós faremos!” e ver isso, e o trabalho que a Cris faz é exatamente como víamos em nossas cabeças, é perfeito!

Kokocast: Você esteve na San Diego Comic Con, você esteve na New York Comic Con e agora você está aqui, no FIQ. Qual é sua opinião sobre o FIQ? Seja brutalmente honesto!

Fraction: Essa é uma pergunta interessante. As convenções nos EUA lidam, básicamente, com o mercado de super-heróis. E eu amo esse mercado… Mas aqui, aqui tem muito mais diversidade! É impressionante, todos os aspectos são muito mais diversos. Não só a tendência, mas os trabalhos que estão sendo mostrados. É um mercado bem mais aberto e receptivo que o americano. E os quadrinhos nos EUA precisam disso. Mesmo. O que acontece aqui é bem mais próximo do meu gosto pessoal.

Acho que foi o Dave Sim que disse “imagine se você vai num cinema e todos os filmes em exibição são ‘filmes sobre enfermeiras’”, e os quadrinhos nos EUA, eles são basicamente isso. É quase que inteiramente voltado para os super-heróis. Bom, houveram algumas mudanças nos últimos anos, mas não chega nem aos pés do que acontece aqui. Tudo é tão diverso e divertido.

Isso é o máximo. Viajar para outro país mostra quão grande e diverso o mundo é e quão pequeno você é.

Kokocast: Já que estamos falando do mundo inteiro, você lê quadrinhos de outras partes do mundo? Europa, Japão…

Fraction: Ah, sim, sim. Claro.  Na verdade, já já vou dar uma volta por aí. Quero tentar achar algo de Corto Maltese. Sabe? Do Hugo Pratt. Quero ver se encontro aqui no FIQ. Lá nos EUA, aparentemente, está fora de impressão…

Kokocast: Não, eu vi algo há alguns stands de distância daqui, uns dois ou três.

Fraction: Jóia!

Kokocast: Bom, pra quem te viu surgindo lá atrás, dando entrevistas para o Chris Sims antes dele começar a trabalhar no Comics Alliance, depois viu Casanova, agora Fear Itself… Tem-se a sensação de “uau, eu vi esse cara crescer na mídia!”

Fraction: (rindo) Nem me fale. E existe algo de… perverso, eu diria, em ter Casanova sendo publicado ao mesmo tempo que Fear Itself. Eu diria que foi um verão divertido!

Kokocast: Antes de ir, gostaria de deixar uma mensagem para nossos leitores e ouvintes?

Fraction: Sim, “Defenders” começa a ser lançado em Dezembro, pela Marvel. É uma HQ de super-heróis bem estranha, então precisaremos de cada gota de apoio que conseguirmos. É legal pedir antes do lançamento e dizer pros vendedores que está interessado antes de começar a sair, fazer assinaturas… o tipo de coisa que faz eles pensarem “bom, algumas pessoas querem ler isso aqui”. A série está sendo descrita como Casanova na visão dos Vingadores.

E agradeço à todos pelo apoio! É impressionante esse apoio que recebemos por todo o mundo. Agradeço mesmo!

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