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Antologias Antológicas

5horas 20 de abril de 2012 News, Opinião 3 Comentários
Antologias Antológicas

Essa semana está acontecendo o lançamento da segunda edição da FIERRO Brasil. A antologia reúne trabalhos de artistas brasileiros e argentinos, já publicados na FIERRO original.

Esse post não é pra falar da Fierro. Gente muito melhor do que eu já fez isso – como o Raphael Fernandes aqui. O objetivo desse post é fomentar a curiosidade de leitores que insistem em ler sempre a mesma coisa.

Antologias são apanhados de histórias de diversos artistas e criadores reunidas. Geralmente um tema é colocado e os autores tem que trabalhar com esse tema.

A grande maioria dos trabalhos lançados no Brasil transformam-se naturalmente em antologias. As publicações da Marvel e da DC por aqui eram – e são – em geral, compilações de diversos trabalhos diferentes publicados no exterior, mas isso não conta como os trabalhos feitos com o propósito de serem uma antologia.

A revista Metal Hurlant nasceu com o propósito de ser uma antologia. Suas histórias futurísticas, com bárbaros espaciais, soldados com laser, mutantes alienígenas e mulheres semi-nuas influenciam autores europeus até hoje. Diversos autores franco-belgas tiveram seu primeiro grande trabalho nas páginas da revista.

Levada para os EUA pela National Lampoon, a revista se chamou Heavy Metal e durante sua publicação passou a aceitar trabalhos de autores fora do ciclo europeu. A Heavy Metal chegou a ser publicada no Brasil. No ano passado o pessoal do Pipoca e Nanquin fez uma excelente entrevista com Dario Chaves, responsável pela revista. Vale a pena conferir.

Em Fevereiro de 1977 começou, no Reino Unido, a 2000 AD. A revista hoje em dia é conhecida por ter apresentado ao público o anti-herói Juiz Dredd e o bárbaro Sláine, além de vários autores do Reino Unido, como Alan Moore, Alan Grant, Grant Morrison, Mark Millar etc. A revista é publicada até hoje e é uma das mais importantes publicações do Reino Unido – dentro e fora do mercado de quadrinhos – e verdadeiro portfólio para editores de fora conhecerem o trabalho dos quadrinistas britânicos.

Em 1987 começou a ser publicada no Brasil a revista Animal. O material da revista era bem decente, trazendo o trabalho de artistas europeus – alguns publicados na Metal Hurlant. Foi através da Animal que muitos brasileiros conheceram o trabalho de Liberatore – criador de Ranxerox – e Max – criador de Peter Pank – entre outros. Você pode ler aqui uma entrevista com Rogério de Campos, um dos responsáveis pela publicação.

Foi através da Animal que conheci o slogan “feio, forte e formal”.

A editora canadense Drawn and Quarterly, durante os anos 1990, publicou a antologia homônima – ou seja, Drawn and Quarterly. A principio a revista mostrava talentos de artistas canadenses. Hoje em dia uma editora, publica materiais autorais de quadrinistas de todo o mundo – além de ter uma loja de quadrinhos em Montreal.

No Japão, antologias publicadas semanalmente trouxeram ao grande publico diversos dos mais famosos mangakás da atualidade. A revista mais conhecida, Weekly Shōnen Jump, começou a ser publicada em 1968 e publicou autores como Eichiro Oda – de One Piece -, Akyra Toriyama – com Doctor Slump, Dragon Ball, Dragon Ball Z -, Tite Kubo – de Bleach -, Yoshihiro Togashi – com YuYu Hakusho e Hunter x Hunter – e Masashi Kishimoto  - com Naruto.

Ainda hoje a revista tem uma enorme circulação semanal – mais de 2 milhões por impressão. A revista acabou sendo levada para os EUA em 2003 como Shonen Jump aproveitando a nova invasão de mangás e animés.

Em 1980 Art Spielgeman criou RAW, trazendo HQs experimentais e alternativas. RAW teve onze edições e levou aos EUA diversos artistas europeus. Em contrapartida, Robert Crumb trouxe ao mundo a Weirdo que teve 28 edições.

Em 2004 começou a ser publicada Flight. Criada por Kazu Kibuishi – que também criou a série Amulet e copper – Flight é uma antologia de tema leve, ligado à fantasia. Foi anunciado que a oitava edição de Flight seria a última pouco antes de seu lançamento, mas até agora não houve confirmação.

Mais recentemente, Sidney Gusman foi o editor responsável pelos MSP 50, MSP + 50 e MSP Novos 50. Como falamos no Kokocast do FIQ, as antologias tem sido usadas por profissionais do meio como um portfólio dos trabalhos de artistas brasileiros.

Esse post mal se aproxima de fazer justiça às antologias – publicadas no Brasil e lá fora. No entanto, antologias são verdadeiros achados que sempre nos trazem agradáveis surpresas. Leia o MSP 50! Leia a Fierro Brasil! Existem muitos autores que você nunca ouviu falar antes. Vale a pena conhecê-los!

Ontem conheci o artista argentino Lucas Varella. O motivo maior da existência desse post vem da vergonha de não ter conhecido seu trabalho antes. Vale comprar a Fierro #01, vale comprar a Fierro #02, vale importar a edição espanhola de Paollo Pinocchio… se você, assim como eu, não o conhecia antes, faça um favor à sí mesmo e corrija esse erro!

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3 Comments

  1. emmanuel cavalcanti (@moondopequeno) 26 de abril de 2012 at 14:10

    Vale a pena a Fierro 2, pessoal?

    • 5horas 26 de abril de 2012 at 14:44

      Então, o preço é meio salgado, mas vale a pena mesmo.
      Nem que seja só pra conhecer o trabalho do Lucas Varella.
      Tinham que publicar todas as histórias do Paolo Pinnochio por aqui.

    • barbamagnetica 26 de abril de 2012 at 18:57

      Só posso responder depois de ler.
      Abs, cara.

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